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Cultura, Economia, Porto, Sociedade

O histórico Cine-Teatro Vale Formoso, uma das salas mais emblemáticas da cidade do Porto, vai voltar a abrir excecionalmente as portas ao público no próximo 13 de setembro, para um Dia Aberto à Comunidade promovido pela produtora UAU, recentemente responsável pela aquisição do edifício.

 

A iniciativa decorrerá entre as 10h00 e as 18h00, com entrada livre, permitindo aos portuenses visitar o espaço antes do arranque das obras de reabilitação que prometem devolver nova vida a este ícone cultural da cidade.

 

Encerrado há cerca de três décadas, o edifício mantém um lugar especial na memória coletiva de várias gerações. Agora, numa espécie de reencontro emocional entre o Porto e um dos seus teatros mais simbólicos, a população terá oportunidade de conhecer o interior do espaço tal como se encontra atualmente, antes da transformação que culminará com a sua reabertura prevista para 2027.

 

 

Uma última visita antes da transformação

 

Durante o Dia Aberto, os visitantes poderão percorrer várias áreas do antigo teatro, incluindo a sala principal, o foyer, zonas técnicas, futuros espaços de restauração e ainda o futuro jardim de inverno, previsto no projeto de reabilitação.

 

Será também apresentada ao público a proposta arquitetónica atualmente em desenvolvimento pelo consórcio Metrourbe e Arsuna, responsável pela recuperação do imóvel.

 

Segundo a UAU, este momento pretende permitir que a cidade se despeça do interior do edifício no seu estado atual, ao mesmo tempo que conhece em primeira mão o futuro do espaço.

 

 

Curiosidade enorme em torno do interior do teatro

 

Em comunicado, Paulo Dias, diretor-geral da UAU, sublinha o interesse crescente da população em conhecer o imóvel.

 

“Recebemos muitos contactos, desde académicos e locais, a pedir para visitarem o espaço. Como o Cine-Teatro Vale Formoso esteve fechado durante muitos anos, as pessoas só conhecem a fachada, mas há muita curiosidade para conhecer o interior deste teatro, que é um marco arquitetónico e cultural do século XX.”

 

A afirmação reflete o simbolismo que o edifício continua a ter na cidade, apesar de décadas de encerramento.

 

 

Um ícone portuense nascido em 1948

 

O Cine-Teatro Vale Formoso foi inaugurado a 30 de dezembro de 1948, numa época em que o cinema e o teatro assumiam papel central na vida cultural urbana.

 

Projetado pelo arquiteto Francisco Granja, o edifício destacou-se desde cedo pela imponência arquitetónica e pela sua dimensão, tornando-se uma das principais salas de espetáculos da cidade nas décadas seguintes.

 

Durante muitos anos foi palco de sessões de cinema, teatro, eventos sociais e momentos marcantes para milhares de portuenses, especialmente entre as décadas de 1950 e 1970.

 

Com mais de 4.200 metros quadrados, o complexo inclui uma ampla sala principal com capacidade superior a mil lugares, camarins, zonas técnicas e áreas complementares.

 

 

Fecho nos anos 90 e décadas de silêncio

 

Com a transformação dos hábitos culturais e a crise de muitas salas tradicionais, o Cine-Teatro Vale Formoso acabaria por encerrar nos anos 90, entrando depois num longo período de inatividade.

 

Ao longo dos anos, o edifício permaneceu como símbolo nostálgico de uma época dourada dos grandes cinemas de bairro e das casas de espetáculo da Invicta. Apesar de encerrado, nunca desapareceu da paisagem urbana nem da memória emocional da cidade.

 

 

Classificação municipal salvou o edifício

 

Em 2022, a Câmara Municipal do Porto classificou o Cine-Teatro Vale Formoso e o conjunto envolvente como Conjunto de Interesse Municipal, reconhecendo o seu valor patrimonial, arquitetónico e histórico.

 

Essa decisão revelou-se determinante para garantir a preservação do imóvel e impedir eventuais projetos que descaracterizassem a sua função cultural.

 

Na altura, o presidente da autarquia, Rui Moreira, salientou que a classificação permitiria assegurar que o edifício continuasse ligado às artes e ao espetáculo.

 

 

Investimento superior a sete milhões de euros

 

A aquisição agora formalizada pela UAU representa o início de uma nova etapa para o espaço. Entre compra do imóvel e obras de reabilitação, o investimento global ultrapassa os sete milhões de euros, num dos mais relevantes projetos privados recentes de recuperação cultural no Porto.

 

A intervenção pretende modernizar o equipamento e adaptá-lo às exigências atuais, sem perder os elementos históricos que fazem parte da sua identidade.

 

Entre os elementos preservados estarão:

  • a emblemática escadaria interior

  • a torre característica da fachada

  • diversos apontamentos arquitetónicos originais

  • a atmosfera histórica do edifício

 

 

Reabertura prevista para 2027

 

A nova fase do Cine-Teatro Vale Formoso deverá culminar com a reabertura no início de 2027, já com uma programação regular dedicada às artes performativas, concertos, teatro, eventos culturais e corporativos.

 

A ambição da UAU passa por transformar o espaço numa nova referência cultural da cidade, complementando a oferta existente e devolvendo ao Porto uma sala histórica preparada para o futuro.

 

 

O regresso de uma sala com alma

 

Num momento em que o Porto aposta cada vez mais na valorização do património e na dinamização cultural, o renascimento do Cine-Teatro Vale Formoso surge como símbolo de continuidade entre passado e futuro.

 

Durante anos fechado e silencioso, o edifício prepara-se agora para voltar a ter luzes acesas, público nas cadeiras e aplausos no final de cada espetáculo.

 

No dia 13 de setembro, antes das obras começarem, o Porto terá oportunidade de entrar novamente num espaço que nunca deixou verdadeiramente de lhe pertencer.

 

 

📷 UAU

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Cultura, Economia, Património, Porto, Sociedade, Turismo, Urbanismo

O antigo Matadouro Industrial de Campanhã, durante décadas um dos espaços industriais mais marcantes da zona oriental do Porto, prepara-se para iniciar uma nova vida. o histórico complexo reabrirá transformado em M-ODU, um ambicioso polo urbano, empresarial, cultural e comunitário que representa um investimento de 40 milhões de euros.

 

O projeto promete assumir-se como uma das maiores operações recentes de regeneração urbana da cidade, devolvendo utilidade pública e económica a um espaço emblemático que permaneceu desativado durante largos anos.

 

Com assinatura internacional e uma visão contemporânea, o novo M-ODU quer unir arquitetura, inovação, trabalho, arte e convivência, ajudando a consolidar Campanhã como uma das zonas estratégicas do futuro da cidade.

 

 

Um novo centro de vida para Campanhã

 

A ambição deste projeto passa por criar um ecossistema urbano onde trabalho, cultura e qualidade de vida convivem diariamente. O complexo vai ocupar uma área total de cerca de 20 mil metros quadrados, integrando:

 

  • nove edifícios de escritórios

  • oito mil metros quadrados para galerias e equipamentos públicos

  • zonas de restauração

  • cafetaria e quiosque

  • espaços de bem-estar

  • áreas culturais e comunitárias

 

A previsão aponta para a chegada de mais de 700 trabalhadores no terceiro trimestre de 2026, muitos deles ligados ao universo empresarial da Mota-Engil.

 

Ao mesmo tempo, o espaço será pensado como projeto aberto à cidade, procurando atrair também visitantes, moradores e novos utilizadores.

 

Nos últimos anos, Campanhã tem sido alvo de profundas transformações urbanas, com investimentos públicos e privados que incluem o Terminal Intermodal de Campanhã, novos projetos residenciais, requalificação de espaço público e novas centralidades.

 

O M-ODU surge como peça-chave nesse processo, reforçando a atratividade da zona oriental e contribuindo para equilibrar o desenvolvimento urbano da cidade. Durante décadas vista como periferia funcional, Campanhã assume-se agora como território de futuro.

 

 

Arquitetura assinada por Kengo Kuma

 

Um dos grandes elementos distintivos do M-ODU será a sua linguagem arquitetónica, desenvolvida pelo reconhecido atelier japonês Kengo Kuma & Associates, em parceria com o gabinete português OODA.

 

A presença de um nome internacional como Kengo Kuma confere ao projeto relevância acrescida, associando o Porto a uma arquitetura contemporânea de escala global.

 

 

Cobertura inspirada na natureza japonesa

 

Um dos elementos mais marcantes do novo complexo será a cobertura leve que parece flutuar sobre os edifícios. Essa estrutura inspira-se no conceito japonês komorebi, expressão que significa “a luz que passa suavemente entre as folhas das árvores”.

 

A ideia procura criar uma relação entre luz natural, sombra, transparência e movimento, aproximando a arquitetura da natureza e oferecendo identidade única ao espaço. Mais do que um detalhe estético, a cobertura deverá tornar-se uma das imagens de marca do novo M-ODU.

 

 

De espaço industrial a símbolo de futuro

 

Durante décadas, o antigo Matadouro Industrial fez parte da infraestrutura económica do Porto. Agora, entra numa nova era. Em vez de abandono ou demolição, a cidade opta por reutilizar e reinventar património urbano, transformando memória industrial em inovação contemporânea.

 

O resultado será um novo polo multifuncional capaz de atrair empresas, talento, visitantes e novas dinâmicas económicas.

 

 

Porto continua a reinventar-se

 

Com o avanço do M-ODU, o Porto reforça a imagem de cidade capaz de preservar passado e construir futuro em simultâneo. A reconversão do antigo Matadouro representa isso mesmo: recuperar um lugar histórico para responder às exigências do século XXI.

 

Campanhã ganhará um novo centro de energia urbana, e o Porto mais um símbolo da sua transformação.

 

 

📷 OODA

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Mobilidade, Património, Porto, Vila Nova de Gaia

A futura ponte sobre o rio Douro, que irá integrar a nova Linha Rubi do Metro do Porto, já entrou numa nova fase decisiva: a escolha do nome oficial. A partir desta quinta-feira, os cidadãos podem votar no nome da nova travessia que ligará Porto a Vila Nova de Gaia, através do portal participa.pt, num processo público que decorre até 5 de maio.

 

Em votação estão seis propostas finalistas, escolhidas por uma comissão de personalidades ligadas à história, cultura, engenharia e identidade da região.

 

A nova infraestrutura será uma das obras mais importantes da mobilidade metropolitana dos próximos anos, criando uma nova ligação entre as duas margens do Douro e servindo milhares de passageiros diariamente.

 

 

Uma ponte estratégica para o futuro da mobilidade

 

A nova travessia irá unir a zona do Campo Alegre, no Porto, à zona da Arrábida, em Gaia. Além do canal dedicado ao metro ligeiro, a ponte contará também com:

 

  • ciclovia

  • percurso pedonal

  • integração urbana entre as duas margens

  • nova ligação estratégica para transportes públicos

 

A estrutura será elemento central da futura Linha Rubi (Casa da Música – Santo Ovídio), uma das expansões mais relevantes da rede do Metro do Porto.

 

O projeto global tem financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e representa um investimento de centenas de milhões de euros.

 

Além da componente ferroviária, a nova travessia deverá contribuir para:

 

  • reduzir tráfego automóvel

  • aproximar zonas urbanas hoje menos conectadas

  • incentivar mobilidade suave

  • reforçar sustentabilidade metropolitana

 

 

Os seis nomes finalistas

 

Os cidadãos podem escolher entre seis designações possíveis:

 

Ponte da Boa Viagem: Evoca a tradição marítima e a histórica ligação das populações do Porto e Gaia ao mar e às viagens.

 

Ponte Douro: Uma escolha direta e simbólica, centrada no próprio rio que molda a identidade da região.

 

Ponte da Ferreirinha: Homenageia Dona Antónia Adelaide Ferreira, figura maior do vinho do Porto e uma das mulheres mais marcantes da história económica portuguesa.

 

Ponte da Boa Passagem: Recorda o antigo cruzeiro da Boa Passagem, ligado à travessia histórica entre margens.

 

Ponte da União: Representa a ligação secular entre Porto e Gaia e o espírito de cooperação entre as duas cidades.

 

Ponte Engenheiro Joaquim Sarmento: Distinção a um nome prestigiado da engenharia portuguesa, autor de várias obras emblemáticas da região.

 

 

Quem escolheu os finalistas

 

A comissão de seleção responsável pela escolha dos nomes foi composta por cinco personalidades:

 

  • Amândio Barros, historiador

  • Hélder Pacheco, historiador

  • Germano Silva, jornalista e investigador

  • Humberto Varum, engenheiro civil

  • Rui Veloso, músico

 

O objetivo foi reunir propostas com valor histórico, cultural e identitário para ambas as cidades.

 

 

Critérios exigentes para a escolha

 

As propostas tinham de respeitar pelo menos uma destas condições:

 

  • homenagear personalidades falecidas há mais de um ano e de reconhecido mérito

    ou

 

  • representar referências históricas, geográficas, económicas, sociais ou culturais ligadas ao Porto e Gaia.

 

O processo pretende garantir que o nome final tenha significado duradouro e ligação real ao território.

 

 

Nome vencedor será anunciado em junho

 

Após o encerramento da votação popular a 5 de maio, uma comissão final validará a escolha definitiva.

 

Essa comissão será composta por:

 

  • Ricardo Fonseca, ex-presidente da Metro do Porto

  • Fernando Sousa, coordenador do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade

  • Fernanda Ribeiro, professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

 

O nome oficial será revelado no dia 2 de junho. Mais do que uma simples estrutura, esta será uma ponte com impacto urbano, económico e simbólico.

 

Como aconteceu com a Ponte Luís I, Ponte da Arrábida ou Ponte do Infante, o nome escolhido poderá atravessar gerações. Agora, a decisão passa também pelos cidadãos.

 

 

📷 Metro do Porto

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