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Cultura, Economia, Porto

O Shopping Center Brasília, considerado o primeiro “shopping” da Península Ibérica, está a assinalar três décadas de história com um programa de comemorações que se estende até dezembro, com iniciativas semanais destinadas a dinamizar o espaço e atrair novos visitantes.

 

As celebrações, organizadas pela Associação de Comerciantes e pela Administração dos Condomínios do centro comercial, arrancaram com um desfile de moda que contou com manequins da agência Best Models, apresentando a coleção de inverno de várias lojas do próprio shopping.

 

 

Um marco histórico no comércio moderno

 

Inaugurado a 9 de outubro de 1976, o Shopping Brasília marcou uma nova era no consumo em Portugal, acompanhando a evolução das tendências e dos hábitos sociais ao longo de várias gerações. Ao longo dos anos, o espaço enfrentou períodos de grande afluência, mas também desafios associados à concorrência e às mudanças no setor do retalho.

 

“As comemorações dos 30 anos são a rampa de lançamento que precisávamos para projectar este espaço à sociedade portuguesa. Não queremos que caia no esquecimento”, afirma Ana Paula Santos, lojista e coordenadora do programa.

 

 

Cultura e arte como motor de dinamização

 

Um dos pontos altos da programação é a exposição “Fascinarte no Brasília”, patente no antigo cinema Charlot, que reúne obras de artistas consagrados como Paula Rego e Júlio Pomar, a par de novos talentos como Alexandre Jordão.

 

A iniciativa pretende reforçar a vertente cultural do espaço e atrair novos públicos. Carlos Van Zeller, presidente da Associação de Comerciantes, acredita que a aposta na arte pode “dinamizar o shopping e criar mais lojas de cultura nas várias vertentes”.

 

Além da exposição, o programa inclui uma feira de minerais com o apoio da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tertúlias evocativas dos 30 anos do centro comercial e um concurso de pintura para descobrir novos talentos.

 

 

Memórias e identidade portuense

 

O impacto do Brasília na vida da cidade continua presente na memória coletiva. A canção “A rapariguinha do shopping”, de Rui Veloso e Carlos Tê, é frequentemente evocada como símbolo de uma época em que o centro comercial era ponto de encontro incontornável.

 

“Estou aqui desde o início. Quando abriu era uma loucura, vinham pessoas de todos os lados”, recorda Emília Machado, comerciante há 30 anos. Apesar das dificuldades, mantém-se otimista quanto ao futuro: “Temos clientes certos e com este tipo de eventos penso que vamos conseguir trazer de novo o movimento”.

 

 

Plano de renovação para o futuro

 

A revitalização do espaço é uma prioridade clara para os comerciantes. Entre as medidas previstas estão a renovação da fachada, remodelações no interior e a criação de uma nova praça de alimentação.

 

“Não pretendemos olhar para a concorrência. Queremos sim marcar a diferença. Para isso é necessário dinamizar o shopping e recuperar a dignidade que tinha no passado”, sublinha Ana Paula Santos.

 

 
📷 Manuel de Sousa

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