Educação, Porto, Saúde
O i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto assinala uma década de atividade com uma forte aposta na medicina de precisão, uma abordagem inovadora baseada na genética de cada doente que poderá abrir caminho ao desenvolvimento de vacinas personalizadas contra o cancro.
Este centro de investigação de excelência do Norte do país une e consolida a colaboração de três institutos e investigadores de diversas faculdades da Universidade do Porto.
Medicina personalizada no centro da investigação
De acordo com o diretor do instituto, Claudio Sunkel, o futuro da medicina passa por tratamentos cada vez mais direcionados às características individuais de cada paciente.
“O cancro de cada pessoa é diferente, e não pode ser tratado da mesma forma. Quanto mais conhecemos as bases genéticas das doenças, melhor conseguimos adaptar os tratamentos”, explicou.
Esta abordagem, também conhecida como medicina genómica ou personalizada, tem vindo a ganhar destaque a nível global e é uma das principais áreas estratégicas do i3S para os próximos anos.
Vacinas contra o cancro e novas abordagens terapêuticas
Uma das linhas de investigação mais promissoras passa pelo desenvolvimento de soluções que estimulem o sistema imunitário de cada doente a combater o seu próprio cancro — um conceito que poderá evoluir para a criação de vacinas personalizadas.
Além da oncologia, a medicina de precisão está a ser aplicada a diversas patologias, reforçando o potencial desta abordagem para transformar o setor da saúde.
O instituto conta já com dois grandes projetos nesta área, com capacidade para posicionar Portugal na linha da frente da investigação científica internacional.
Bioimpressão: o futuro da investigação sem recurso a animais
Outra área em crescimento no i3S é a bioimpressão, uma tecnologia que permite replicar tecidos humanos em laboratório através de impressoras 3D.
Esta inovação possibilita o desenvolvimento de novos fármacos com recurso a amostras de doentes, reduzindo significativamente a necessidade de testes em animais e acelerando os processos de investigação.
Um polo de excelência no Porto com impacto global
Ao longo dos últimos 10 anos, o i3S afirmou-se como um dos principais centros de investigação em ciências da saúde em Portugal e na Europa, integrado na Universidade do Porto.
Os números refletem essa evolução:
Mais de 700 projetos de investigação financiados
Cerca de 175 milhões de euros em financiamento competitivo
Sete bolsas do Conselho Europeu de Investigação, que representam mais de 100 milhões de euros
Cerca de 500 doutoramentos concluídos
Aproximadamente 100 mil alunos envolvidos em iniciativas educativas
Atualmente, o instituto reúne mais de 1.300 profissionais de 39 nacionalidades e desenvolve mais de 300 projetos científicos.
Investigação de ponta em várias áreas da saúde
Entre os projetos em destaque estão investigações lideradas por Salomé Pinho, na área da doença de Crohn, Mónica Sousa, na regeneração do sistema nervoso, e Elsa Logarinho, no estudo do envelhecimento.
Estes trabalhos refletem a diversidade e o impacto da investigação desenvolvida no instituto, com potencial para melhorar a qualidade de vida e responder a alguns dos maiores desafios da medicina contemporânea.
Um “super instituto” que nasceu no Porto
O i3S foi inaugurado a 19 de maio, resultando da fusão de três centros de investigação de referência: o Instituto de Biologia Molecular e Celular, o Instituto Nacional de Engenharia Biomédica e o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular.
Para acolher este projeto, foi construído de raiz um edifício no polo universitário da Asprela, no Porto, com cerca de 18 mil metros quadrados, num investimento de 21,5 milhões de euros, maioritariamente financiado por fundos comunitários.
Dez anos depois, o i3S afirma-se como um verdadeiro motor de inovação científica, contribuindo para posicionar o Porto como um dos principais centros de investigação em saúde na Europa.
