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Cultura, Economia, Porto

Inaugurado a 9 de outubro de 1976, o Shopping Brasília assinalou meio século de história. Pioneiro no comércio moderno em Portugal e na Península Ibérica, o emblemático espaço da Boavista atravessou gerações, resistiu a crises e reinventa-se para continuar a fazer parte da vida dos portuenses.

 

O Shopping Brasília, situado na Praça de Mouzinho de Albuquerque, junto à Rotunda da Boavista, no Porto, celebrou, a 9 de outubro de 2026, o seu 50.º aniversário. Inaugurado em 1976, é reconhecido como o primeiro centro comercial da Península Ibérica, tendo desempenhado um papel pioneiro na transformação dos hábitos de consumo e da vida comercial da cidade.

 

Durante cinco décadas, o Brasília foi palco de encontros, descobertas e memórias que atravessaram gerações. Das primeiras viagens nas escadas rolantes às tardes passadas entre montras, cafés e lojas, o espaço tornou-se muito mais do que um destino de compras: passou a integrar a identidade urbana e afetiva do Porto.

 

Depois de conhecer períodos de grande prosperidade, o centro comercial enfrentou desafios significativos, nomeadamente a abertura de grandes superfícies comerciais mais modernas, as sucessivas crises económicas e os efeitos da pandemia de COVID-19. Apesar das dificuldades, manteve-se em funcionamento e iniciou, nos últimos anos, um processo de revitalização destinado a recuperar a sua atratividade.

 

As comemorações do cinquentenário, realizadas ao longo da primeira quinzena de outubro, celebraram não apenas o passado de um espaço emblemático, mas também a ambição de construir um novo capítulo na sua história.

 

 

1976: o nascimento de um centro comercial que revolucionou o Porto

 

Quando abriu portas, a 9 de outubro de 1976, o Shopping Brasília representou uma verdadeira inovação no panorama comercial português. Numa época em que o comércio tradicional se concentrava sobretudo nas lojas de rua, o novo empreendimento apresentou um conceito que reunia dezenas de estabelecimentos num único espaço, proporcionando uma experiência de consumo até então pouco habitual.

 

Um dos maiores símbolos dessa modernidade eram as escadas rolantes. A novidade despertava tanta curiosidade que famílias inteiras se deslocavam à Boavista para experimentar aquele equipamento, subindo e descendo repetidamente, muitas vezes sem qualquer intenção de fazer compras.

 

O fenómeno ultrapassou as fronteiras da cidade. Visitantes de diferentes regiões de Portugal e até de Espanha deslocavam-se ao Porto para conhecer o centro comercial, que rapidamente se transformou numa atração turística e num símbolo de modernidade.

 

Na sua configuração inicial, o Brasília reunia cerca de 242 lojas e uma sala de cinema com aproximadamente 400 lugares. A diversidade comercial, que incluía estabelecimentos de vestuário, acessórios, joalharia e restauração, contribuiu para consolidar a sua posição como um dos principais polos comerciais da região.

 

 

Um espaço pioneiro nos hábitos de consumo e nos horários do comércio

 

O impacto do Shopping Brasília não se limitou à arquitetura ou à concentração de estabelecimentos comerciais. O centro introduziu também novas práticas de funcionamento que contribuíram para alterar os hábitos de consumo dos portugueses.

 

Entre as principais inovações destacou-se o prolongamento dos horários de abertura das lojas até à meia-noite, numa altura em que o comércio tradicional encerrava significativamente mais cedo. Esta mudança permitiu aos consumidores realizar compras depois do horário de trabalho e criou novas dinâmicas de circulação e convivência.

 

O funcionamento alargado exigiu uma organização laboral diferente, com vários turnos de trabalhadores, contribuindo para transformar o centro comercial num espaço de atividade praticamente contínua ao longo do dia.

 

A sua influência estendeu-se à vida social da cidade. Durante vários anos, o Brasília foi um dos locais de eleição para encontros entre amigos, passeios familiares e momentos de lazer, numa época em que os centros comerciais ainda não faziam parte do quotidiano da maioria da população.

 

 

A rapariguinha do shopping: quando o Brasília inspirou a música portuguesa

 

A importância cultural do Brasília ficou também eternizada na música portuguesa. O ambiente das lojas, a modernidade do espaço e a presença de jovens funcionárias inspiraram Carlos Tê a escrever a canção «A Rapariguinha do Shopping», que viria a ser celebrizada pela voz de Rui Veloso.

 

A composição retrata, com humor e observação social, uma figura feminina associada ao universo dos novos centros comerciais, num período em que estes espaços começavam a representar uma mudança de costumes e comportamentos.

 

A ligação entre a canção e a história do Brasília ganhou uma nova expressão nas comemorações do cinquentenário, com a apresentação do livro A Rapariguinha do Shopping Já É Avó, da autoria de Júlio Rodão, a 7 de outubro.

 

O título da obra estabelece uma ponte simbólica entre o passado e o presente. A jovem que representava uma nova geração de consumidores e trabalhadores em 1976 é hoje evocada como testemunha de uma transformação social que atravessou meio século.

 

 

Do Cinema Charlot ao ginásio: cinco décadas de transformação

 

Ao longo da sua história, o Shopping Brasília foi acompanhando as mudanças nos estilos de vida e nas preferências dos consumidores. Para além da atividade comercial, acolheu espaços de lazer que contribuíram para a sua popularidade.

 

Entre os mais emblemáticos encontrava-se o Cinema Charlot, uma sala com cerca de 400 lugares, que durante anos integrou a oferta cinematográfica da cidade. O espaço viria a encerrar, acompanhando as profundas alterações verificadas no setor da exibição cinematográfica.

 

Em 1982, uma nova fase de construção trouxe mudanças à imagem do centro comercial, com a introdução de elementos decorativos característicos da década de 1980, incluindo mármore rosa e superfícies espelhadas.

 

Foi também nessa fase que surgiu um ginásio, associado à crescente popularidade da atividade física e das aulas de aeróbica. A diversificação da oferta ajudou a consolidar o Brasília como um espaço onde o comércio coexistia com o lazer e os serviços.

 

Com o passar dos anos, porém, a expansão de novos centros comerciais, dotados de grandes áreas de estacionamento, hipermercados e complexos de cinemas, colocou desafios à competitividade do Brasília, obrigando-o a adaptar-se a um mercado em constante transformação.

 

 

Renovação de meio milhão de euros impulsionou uma nova fase

 

A recuperação da atratividade do Shopping Brasília ganhou expressão com as obras de remodelação das áreas comuns, concluídas em 2024, num investimento de aproximadamente 500 mil euros.

 

A intervenção procurou modernizar os espaços, melhorar as condições de circulação e tornar o ambiente mais acolhedor, preservando simultaneamente a identidade histórica do edifício.

 

Paralelamente, foi desenvolvida uma estratégia de reposicionamento da marca, assente no conceito «Brasília Faz Parte», que pretende reforçar a ligação emocional do centro comercial à cidade e às diferentes gerações de visitantes.

 

A renovação contribuiu para atrair novos negócios, incluindo estabelecimentos ligados à estética, saúde, bem-estar e serviços especializados. Esta diversificação reflete a transformação do comércio urbano, cada vez mais orientado para uma combinação de produtos e serviços.

 

Em setembro de 2026, a administração indicava que estavam em atividade 223 das 243 lojas existentes, revelando uma ocupação significativa e uma recuperação face aos períodos de maior dificuldade.

 

 

Novos investimentos apontam para o futuro do Brasília

 

A revitalização do Shopping Brasília não se limita à modernização das suas áreas comuns. Entre os projetos anunciados encontra-se a recuperação de espaços que durante anos tiveram um papel relevante na dinâmica do centro comercial.

 

O antigo ginásio, com aproximadamente 700 metros quadrados, foi adquirido pela cadeia Lemonfit, estando prevista a sua reabertura após a conclusão dos procedimentos necessários. O investimento pretende reforçar a oferta ligada ao exercício físico e ao bem-estar.

 

Também o espaço do antigo Cinema Charlot foi adquirido por investidores portugueses, com a intenção de o reconverter num equipamento multiúsos, vocacionado para a realização de eventos e congressos. O projeto encontrava-se ainda em fase de estudo, pelo que a sua concretização dependerá das etapas de desenvolvimento e aprovação necessárias.

 

Estas iniciativas integram uma estratégia mais ampla de adaptação às exigências atuais, procurando transformar o Brasília num espaço multifuncional, capaz de conciliar comércio, serviços, saúde, cultura e atividades profissionais.

 

A localização privilegiada, junto à Rotunda da Boavista, a proximidade de transportes públicos e a integração numa zona central do Porto continuam a constituir vantagens importantes para o futuro do empreendimento.

 

 

Cinquentenário celebrado com arte urbana, literatura e gastronomia

 

O programa comemorativo dos 50 anos do Shopping Brasília incluiu diferentes iniciativas culturais e de animação, procurando envolver comerciantes, visitantes e a comunidade portuense.

 

A 7 de outubro, a apresentação do livro A Rapariguinha do Shopping Já É Avó, de Júlio Rodão, estabeleceu uma ligação entre a memória do centro comercial e a sua presença no imaginário cultural português.

 

No dia seguinte, 8 de outubro, a gastronomia assumiu um papel de destaque, com uma sessão de showcooking que contou com a participação do chefe Hélio e de outros profissionais da cidade.

 

O ponto alto das comemorações aconteceu na sexta-feira, 9 de outubro, precisamente 50 anos depois da inauguração, com a apresentação de um mural do artista urbano Mr. Dheo. A obra, com aproximadamente dez metros de comprimento e seis metros de altura, foi concebida para uma das entradas laterais do centro comercial.

 

As festividades prolongaram-se até sábado, 10 de outubro, com um concerto de encerramento, assinalando simbolicamente a passagem de meio século de um dos espaços comerciais mais emblemáticos do Porto.

 

 

O Brasília faz parte da história e da memória do Porto

 

Cinquenta anos depois da inauguração, o Shopping Brasília continua a representar um capítulo importante da história comercial e social do Porto. Mais do que um edifício dedicado ao consumo, tornou-se um testemunho das transformações económicas, culturais e urbanas ocorridas desde a década de 1970.

 

O espaço que outrora atraía multidões fascinadas pelas escadas rolantes procura hoje conquistar novas gerações através da diversidade comercial, da prestação de serviços e da valorização da sua identidade histórica.

 

A sua longevidade demonstra também a capacidade de resistência do comércio urbano, num contexto marcado pela concorrência das grandes superfícies, pelo crescimento das compras online e pelas mudanças nos comportamentos dos consumidores.

 

Ao celebrar 50 anos, o primeiro centro comercial da Península Ibérica reafirma o seu lugar na memória coletiva da cidade. Entre a nostalgia de quem acompanhou os seus primeiros anos e a curiosidade de quem agora o descobre, o Brasília continua a fazer parte do Porto e procura garantir que assim permanecerá nas próximas décadas.

 

 
📷 Manuel de Sousa
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Porto

Há datas que marcam uma história. Há projetos que atravessam gerações. E há marcas que, duas décadas depois, continuam a cumprir a mesma missão com que nasceram.

 

Em 2026, o The Best of Porto celebra 20 anos de existência, assinalando duas décadas de ligação permanente à cidade, às suas pessoas, às suas instituições e a tudo aquilo que torna o Porto uma região única.

 

 

Uma história que começou a 17 de junho de 2006

 

A história do The Best of Porto começou oficialmente a 17 de junho de 2006, com a realização da primeira Gala de Entrega de Prémios The Best of Porto.

 

O objetivo era simples, mas ambicioso: criar uma plataforma capaz de reconhecer personalidades, instituições, empresas e talentos que contribuíam para valorizar o distrito do Porto.

 

Mais do que uma cerimónia de prémios, aquela primeira gala marcou o nascimento de uma identidade. Uma marca criada para dar visibilidade ao mérito, celebrar conquistas e reforçar o orgulho numa região com uma enorme capacidade de inovação e afirmação.

 

 

De uma gala pioneira a uma referência digital

 

Ao longo dos anos, o The Best of Porto acompanhou uma das maiores transformações da sociedade: a evolução do mundo digital.

 

Numa altura em que a presença online ainda dava os primeiros passos para muitas marcas e instituições, o projeto percebeu desde cedo a importância da internet como espaço de divulgação e ligação com o público.

 

A partir dessa visão, o The Best of Porto transformou-se num portal digital dedicado a mostrar o melhor da região.

 

Notícias, cultura, turismo, gastronomia, eventos, iniciativas empresariais e histórias inspiradoras passaram a fazer parte de uma plataforma que mantém o mesmo propósito desde o primeiro dia: valorizar tudo aquilo que merece ser conhecido.

 

 

20 anos sempre ligados às pessoas

 

Mais do que números, plataformas ou conteúdos publicados, a história do The Best of Porto faz-se sobretudo de pessoas.

 

Ao longo destas duas décadas, foram milhares as histórias partilhadas, os projetos divulgados e as iniciativas acompanhadas.

 

Foram também muitos os parceiros, leitores e seguidores que ajudaram a construir esta comunidade e que permitiram que a marca permanecesse próxima da cidade.

 

Porque estar ligado ao Porto significa estar ligado às suas pessoas.

 

 

Um projeto movido pela paixão

 

Num cenário onde muitos projetos digitais surgem com objetivos exclusivamente comerciais, o The Best of Porto construiu um percurso diferente.

 

Grande parte do trabalho desenvolvido ao longo destes 20 anos nasceu de uma dedicação voluntária e genuína, motivada pela vontade de promover positivamente a região e dar palco ao que de melhor nela existe.

 

Essa ligação emocional à cidade tornou-se uma das maiores forças da marca.

 

Porque uma história com 20 anos não se constrói apenas com tecnologia ou presença digital. Constrói-se com compromisso.

 

 

O Porto mudou. O The Best of Porto cresceu com ele.

 

Nas últimas duas décadas, o Porto viveu uma profunda transformação.

 

A cidade ganhou uma nova projeção internacional, tornou-se um dos destinos mais procurados da Europa e viu nascer novos projetos, negócios, espaços culturais e experiências.

 

Durante este percurso, o The Best of Porto acompanhou essa evolução, mantendo sempre a sua essência: ser uma janela aberta para tudo aquilo que acontece na região.

 

Da memória dos primeiros anos ao dinamismo atual das redes sociais, a marca soube adaptar-se aos novos tempos sem perder a sua identidade.

 

 

Um futuro com a mesma ligação de sempre

 

Chegar aos 20 anos representa uma conquista, mas também um novo ponto de partida.

 

O The Best of Porto entra numa nova década com a mesma vontade que esteve na origem do projeto: continuar a informar, divulgar e celebrar o Porto.

 

O futuro passa por reforçar a presença digital, continuar a criar conteúdos relevantes e manter o compromisso de ser um arquivo vivo daquilo que a região tem de melhor.

 

Porque o Porto está em constante mudança.

 

E, há 20 anos, o The Best of Porto continua lá para acompanhar, contar e celebrar essa história.

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Economia, Mobilidade, Porto, Vila Nova de Gaia

A futura ponte sobre o rio Douro que integrará a linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa já pode ser conhecida em maior detalhe. O projeto, atualmente em consulta pública até 29 de junho, prevê uma infraestrutura de dupla utilização que servirá não apenas os comboios de alta velocidade, mas também automóveis, ciclistas e peões.

 

A nova travessia ligará os concelhos do Porto e de Vila Nova de Gaia e será um dos elementos centrais do primeiro troço da linha de alta velocidade Porto-Oiã, cuja construção deverá arrancar ainda este ano.

 

De acordo com a memória descritiva do projeto, elaborada pelo consórcio AVAN Norte, a ponte terá dois tabuleiros distintos. O superior será reservado à circulação ferroviária, permitindo a passagem dos comboios de alta velocidade. Já o inferior acolherá trânsito automóvel, ciclovia e percursos pedonais.

 

A organização do tabuleiro rodoviário foi concebida de forma simétrica. As duas vias de circulação automóvel ficarão localizadas na zona central da estrutura, ladeadas por ciclovias e, mais junto ao exterior, por passeios destinados aos peões.

 

Segundo os documentos disponibilizados para consulta pública, a travessia rodoviária contará com duas faixas de circulação de 3,25 metros de largura cada, separadas por um separador central com um metro. A infraestrutura incluirá ainda uma ciclovia com 1,50 metros de largura e passeios pedonais com 2,25 metros. Para reforçar a segurança, estão previstas barreiras de betão do tipo New Jersey entre as diferentes zonas de circulação.



 

Mais de um quilómetro sobre o Douro

 

A componente ferroviária da ponte terá uma extensão total de 1.127,7 metros, enquanto o tabuleiro rodoviário inferior terá cerca de 690 metros.

 

A estrutura será sustentada por várias torres, destacando-se duas grandes torres em forma de “A”, localizadas sobre o rio, que suportarão o tabuleiro através de cabos atirantados. O projeto contempla ainda pilares de apoio em Gaia e na margem portuense.

 

No Porto, a ligação ferroviária será efetuada através do futuro viaduto de Campanhã, que se conectará à nova infraestrutura junto à atual Linha do Norte. Em Gaia, a ponte prolongar-se-á até à entrada do túnel ferroviário que atravessará a cidade, na zona de Gervide.

 

 

Património industrial preservado

 

Uma das particularidades do projeto passa pela preservação de elementos históricos da antiga Fábrica de Louça de Massarelos.

 

Os antigos fornos e a emblemática chaminé industrial serão mantidos e integrados na nova configuração urbana. Estes elementos ficarão localizados junto à rotunda que marcará o acesso à travessia rodoviária, ciclável e pedonal, numa área atualmente ocupada por um posto de combustível na Avenida Gustavo Eiffel.

 

 

Estação de Gaia será um grande interface de transportes

 

A nova estação de alta velocidade de Gaia, situada em Santo Ovídio, surge igualmente detalhada nos documentos agora divulgados.

 

Os cais ferroviários ficarão instalados a cerca de 60 metros de profundidade e serão acessíveis através de elevadores e escadas rolantes. A estação contará com acessos a sul, junto à Rotunda de Santo Ovídio, e a norte, nas proximidades da atual estação de metro D. João II.

 

O projeto prevê ainda a construção de duas grandes claraboias que permitirão a entrada de luz natural até às plataformas subterrâneas.

 

Nas imediações da estação será criado um importante nó de mobilidade, integrando metro, táxis, zonas de tomada e largada de passageiros, estacionamento para bicicletas e um parque subterrâneo com capacidade para 475 viaturas.

 

Um dos elementos mais visíveis será uma torre com cerca de 68,75 metros de altura, que ocupará a área do atual parque de estacionamento em terra batida junto à estação D. João II.

 

Apesar da dimensão do projeto, os documentos revelam que não estão previstas alterações urbanísticas profundas na zona de Santo Ovídio, mantendo-se grande parte da atual configuração viária.

 

 

Ligação Porto-Lisboa em apenas 1h15

 

A nova ponte integra a primeira parceria público-privada da futura linha de alta velocidade Porto-Lisboa.

 

Quando estiver concluída, a ligação ferroviária entre as duas maiores cidades portuguesas passará a demorar cerca de uma hora e quinze minutos, com paragens previstas em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.

 

A conclusão do troço Porto-Oiã está prevista para 2030. Já a totalidade da linha Porto-Lisboa deverá entrar em funcionamento em 2032, o mesmo ano em que é esperada a conclusão da ligação de alta velocidade entre Porto e Vigo.

 

A nova ponte sobre o Douro será, assim, uma das infraestruturas mais marcantes das próximas décadas na Área Metropolitana do Porto, assumindo um papel estratégico na mobilidade ferroviária, rodoviária, ciclável e pedonal entre as duas margens do rio.

 

 

 📷 Infraestruturas de Portugal

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Cultura, Eventos, Porto, Sociedade

O Porto já apresentou o programa oficial das Festas de São João 2026, uma das celebrações mais emblemáticas da cidade, que promete voltar a levar milhares de pessoas às ruas na noite de 23 para 24 de junho. Com um orçamento global de 800 mil euros, a edição deste ano aposta numa programação descentralizada, distribuída por vários pontos da cidade, com destaque para três grandes palcos, um espetáculo multimédia e de fogo de artifício sobre o rio Douro, concertos, arraiais, tradições populares e atividades para todas as idades.

 

A apresentação decorreu nos Jardins do Palácio de Cristal e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, do vereador do Desporto, Juventude e Associativismo, Rodrigo Passos, e de Tony Carreira, um dos artistas que integra o cartaz principal das festividades.

 

“O São João é uma festa muito especial. Costuma-se dizer, e bem, que é a noite mais longa do ano, mas não é só isso: é a festa mais bonita do mundo. É a mais bonita por aquilo que se sente na rua. É uma energia que nos liga a todos enquanto seres humanos”, afirmou Pedro Duarte durante a apresentação do programa.

 

 

Fogo de artifício volta a iluminar o Douro

 

Um dos momentos mais aguardados das Festas de São João volta a acontecer à meia-noite. Durante 12 minutos, os céus do Porto e de Vila Nova de Gaia serão iluminados por um espetáculo multimédia e de fogo de artifício entre as pontes Luís I e da Arrábida.

 

A iniciativa representa um investimento conjunto das duas autarquias, num valor de 215 mil euros, e deverá voltar a atrair milhares de pessoas às margens do Douro para assistir a um dos momentos mais emblemáticos da noite sanjoanina.

 

 

Aliados recebem Quinta do Bill e Tony Carreira

 

A Avenida dos Aliados volta a assumir-se como um dos principais centros da festa. A partir das 22 horas, sobem ao palco os Quinta do Bill, banda de referência da música portuguesa, conhecida por temas como “Filhos da Nação” e “No Silêncio do Teu Olhar”.

 

Depois do espetáculo de fogo de artifício será a vez de Tony Carreira animar a multidão com alguns dos seus maiores êxitos, num concerto que promete reunir diferentes gerações.

 

Ao longo da noite, Fernando Alvim assume a animação em formato DJ Set, enquanto a Dupla Mete Cá Sets prolongará a festa até às 4 horas da manhã.

 

Antes dos concertos, os Aliados serão também palco de um momento desportivo, com a transmissão, a partir das 18 horas, do encontro entre Portugal e Uzbequistão, a contar para o Mundial de Futebol.

 

 

D.A.M.A e Últimos Românticos animam a Cordoaria

 

Outro dos polos centrais das festividades será o Largo do Amor de Perdição, na Cordoaria. O espaço recebe, às 22 horas, os Últimos Românticos, projeto portuense que combina hip hop e música eletrónica. Já depois da meia-noite, às 00h20, sobem ao palco os D.A.M.A com o espetáculo especial “Canções Bonitas em PORTOguês”, concebido especialmente para a cidade.

 

A animação será complementada pelo projeto Noz Pimba, que promete transformar o recinto numa autêntica festa popular ao longo de toda a noite.

 

 

Casa da Música acolhe o Palco Juventude

 

Integrado na programação da Capital Nacional da Juventude 2026, o Palco Juventude estará instalado junto à Casa da Música e apresentará o projeto “Nunca Mates o Arraial”.

 

A programação inclui atuações de Cedofeita Takeover, Rapaz Ego e Nunca Mates o Mandarim, um dos nomes emergentes da cena indie portuense.

 

O espaço contará ainda com um “Bar Dançante” conduzido por Mike El Nite e João Não, bem como um DJ Set do projeto Más Influências. A apresentação ficará a cargo de Beatriz Gosta e David Bruno.

 

 

Karetus atuam junto ao rio

 

A zona ribeirinha ganha também destaque nesta edição das festas. Com a Ponte Luís I como pano de fundo, os Karetus sobem ao palco às 22h30 para um espetáculo que antecede o fogo de artifício da meia-noite, prometendo aquecer o ambiente junto ao Douro.

 

 

Concerto de São João regressa ao Palácio de Cristal

 

As celebrações prolongam-se para lá da noite principal. No dia 24 de junho, às 18 horas, a Concha Acústica dos Jardins do Palácio de Cristal recebe o tradicional Concerto de São João da Banda Sinfónica Portuguesa, com entrada livre.

 

 

Festas chegam a todas as freguesias

 

As comemorações estendem-se igualmente às várias freguesias da cidade. No dia 19 de junho, sobem aos palcos artistas como Ana Malhoa, Romana, Mónica Sintra, Diapasão e Victor Rodrigues.

 

Já na noite de 23 de junho atuam, entre outros, Minhotos Marotos, Zé Amaro, Jorge Guerreiro, Bandalusa, Iniciadores e Ritmo e Alma Show.

 

 

Tradições populares mantêm-se vivas

 

As manifestações tradicionais continuam a ocupar um lugar central na programação. A Arruada de Ranchos regressa às ruas da cidade no dia 13 de junho, a partir das 15 horas, reunindo diversos grupos e coletividades.

 

Já no dia 27 de junho será a vez das tradicionais Rusgas percorrerem a Baixa do Porto e os Aliados, num desfile que partirá da Rua de Passos Manuel e que contará novamente com transmissão em direto pelo Porto Canal.

 

 

Diversão, arraiais e Cascata Comunitária

 

As habituais zonas de diversão voltam a instalar-se nas Fontainhas, no Jardim do Cálem e na Avenida D. Carlos I, disponibilizando carrosséis, espaços de restauração, farturas, pipocas e outras atrações para toda a família.

 

O Mercado do Bolhão associa-se igualmente às comemorações através da tradicional Cascata Comunitária de São João, patente entre 8 e 28 de junho.

 

Ao longo do mês decorrerão também oficinas para famílias e, no dia 20 de junho, um arraial especial com atuações de Nel Monteiro e Jorge Lomba, numa das últimas grandes celebrações antes da noite mais longa do ano.

 

Com música, tradição, cultura popular e animação espalhada por toda a cidade, o São João 2026 prepara-se para voltar a transformar o Porto num dos maiores palcos festivos do país, celebrando uma tradição que continua a passar de geração em geração e que permanece como uma das maiores expressões da identidade portuense.

 

 

 📷 Miguel Nogueira by Porto.

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Desporto, Porto

A Federação Portuguesa de Futebol escreveu um novo capítulo da sua história ao inaugurar oficialmente uma delegação na cidade do Porto, num passo simbólico e estratégico que reforça a aproximação da instituição às regiões e aos agentes desportivos de todo o país.

 

A nova estrutura, instalada na Icon Tower, em Ramalde, representa uma mudança histórica para o organismo máximo do futebol nacional, tradicionalmente sediado na área metropolitana de Lisboa.

 

A cerimónia contou com a presença do presidente da FPF, Pedro Proença, da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, e do presidente da Associação de Futebol do Porto, José Manuel Neves.

 

 

Um momento histórico para o futebol português

 

Para Pedro Proença, esta inauguração simboliza muito mais do que a abertura de um novo espaço físico. “A abertura destas instalações mostra que esta Federação está mais aberta, mais próxima, mais descentralizada e mais alinhada com a visão que temos para o futuro do futebol português”, afirmou.

 

O dirigente destacou ainda que a nova casa da FPF no Norte pretende servir clubes, associações, árbitros, treinadores, dirigentes e comunidades locais, reforçando a presença da federação junto de quem constrói diariamente o futebol português.

 

 

Porto ganha protagonismo institucional

 

A escolha do Porto para acolher esta nova delegação foi vista como natural, tendo em conta a importância da cidade e da região Norte no panorama desportivo nacional.

 

Pedro Duarte saudou a decisão e sublinhou o valor estratégico da iniciativa. “É um espaço físico, mas todos sabemos que representa muito mais do que isso. Numa cidade onde o futebol se vive com tanta intensidade, esta proximidade é extremamente relevante.”

 

O autarca considerou ainda que esta decisão reforça o papel do Porto como capital regional e cidade central no desporto português.

 

 

Descentralizar para unir

 

A criação da delegação integra o plano programático da atual direção da FPF e surge como uma das grandes promessas cumpridas por Pedro Proença desde a sua chegada à liderança federativa.

 

Segundo o presidente da federação, descentralizar não é apenas uma ideia política, mas uma necessidade estrutural. “O futebol português não é apenas de uma cidade ou de uma região. O futebol português é de Portugal inteiro.”

 

A nova estratégia pretende reduzir assimetrias territoriais e promover uma relação mais próxima entre a federação e o país real.

 

 

Ministra destaca impacto social do futebol

 

Também Margarida Balseiro Lopes valorizou a importância do momento, assumindo emoção pela dimensão simbólica da inauguração. “A Federação Portuguesa de Futebol é hoje muito mais do que desporto. Tem um impacto social enorme em Portugal.”

 

A governante destacou o papel da FPF na inclusão, igualdade e coesão territorial, considerando que esta descentralização representa uma mensagem clara de proximidade e compromisso com todo o país.

 

 

O futebol aproxima-se do Norte

 

Com esta nova delegação, a Federação Portuguesa de Futebol deixa de olhar o país apenas a partir de Lisboa e assume uma nova postura de proximidade territorial.

 

A abertura no Porto representa não só uma descentralização administrativa, mas também um reconhecimento da importância histórica, cultural e desportiva do Norte no futebol português. Mais do que inaugurar escritórios, a FPF inaugurou uma nova forma de estar.~

 

 

Instalações modernas e preparadas para o futuro

 

A nova sede da FPF no Porto conta com:

 

  • Área comum com capacidade para cerca de 60 trabalhadores

  • Sala multiusos para formações e reuniões

  • Gabinetes de direção

  • Espaço lúdico e zonas de apoio

 

O objetivo passa por criar uma base operacional sólida no Norte, capaz de receber reuniões, projetos técnicos, formações e iniciativas institucionais.

 





112 anos celebrados no Porto

 

A inauguração coincidiu ainda com as celebrações do 112.º aniversário da Federação Portuguesa de Futebol, assinaladas numa cerimónia realizada na Alfândega do Porto.

 

A noite reuniu centenas de convidados ligados ao futebol nacional, entre presidentes de associações, clubes, antigos jogadores, treinadores e personalidades institucionais, contando ainda com a presença do antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

 

 

Ambição, vitórias e futuro

 

No discurso oficial, Pedro Proença destacou os recentes sucessos das seleções nacionais e reforçou a ambição da federação em continuar a vencer. “Temos os melhores jogadores, os melhores treinadores, os melhores árbitros e os melhores dirigentes do mundo. A nossa aspiração é só uma: sermos os melhores do mundo.”

 

A mensagem final foi clara e dirigida a todo o país: “Habituem-se. Vamos continuar a ganhar.”

 

 

📷 JLL / AFL

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Eventos, Porto, Urbanismo

A cidade do Porto voltou a destacar-se a nível nacional ao conquistar o Grande Prémio “Redes e Cidades que Caminham 2026”, reforçando a sua posição como referência na criação de espaços urbanos mais acessíveis, sustentáveis e centrados nas pessoas.

 

A distinção foi atribuída no âmbito do IV Congresso Cidades e Vilas que Caminham, que decorreu no Auditório da Fundação Manuel António da Mota e reuniu especialistas, decisores políticos e técnicos para debater o futuro das cidades.

 

 

Um triplo reconhecimento para o Porto

 

Além do grande prémio, o Município arrecadou ainda o primeiro lugar na categoria de reabilitação urbana e uma menção honrosa, num reconhecimento alargado do trabalho desenvolvido na qualificação do espaço público.

 

Os projetos distinguidos foram executados pela GO Porto, que se destacou entre mais de duas dezenas de candidaturas a nível nacional.

 

Entre os projetos premiados está a candidatura que assinala os 25 anos do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, distinguida na área da reabilitação urbana. Já o programa Rua Direita foi reconhecido com uma menção honrosa, sendo apontado como um exemplo de intervenção estratégica na malha urbana.

 

 

Uma estratégia centrada nas pessoas e na qualidade de vida

 

Presente na cerimónia, a vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, Catarina Araújo, destacou a importância de políticas públicas que valorizem o espaço urbano enquanto local de encontro, convivência e partilha.

 

“É fundamental refletir sobre políticas urbanísticas que qualifiquem o espaço público e o tornem num verdadeiro lugar de encontro”, afirmou, sublinhando o compromisso do município com um investimento estruturado na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

 

 

GO Porto destaca impacto das intervenções urbanas

 

Também durante o congresso, representantes da GO Porto reforçaram o papel da empresa na transformação da cidade.

 

Fernando Monteiro destacou a importância da herança do Porto 2001 na forma como hoje se pensa a reabilitação urbana “Percebemos hoje a importância do sentimento de pertença dos cidadãos em relação à cidade e isso acontece na forma como intervimos no espaço público”.

 

O responsável sublinhou ainda o programa Rua Direita como um exemplo claro de mudança estratégica, colocando o peão no centro das decisões de planeamento urbano.

 

Já Andreia Júnior agradeceu o trabalho das equipas envolvidas e a confiança do município, reforçando o compromisso com uma cidade mais humana e inclusiva.

 

 

Cidades mais resilientes num contexto de mudança climática

 

O congresso ficou também marcado pelo debate em torno da adaptação das cidades às alterações climáticas, um dos maiores desafios da atualidade.

 

Com intervenções de especialistas como Renato Lourenço e Alves da Silva, foram discutidas estratégias para tornar os centros urbanos mais resilientes, sustentáveis e preparados para o futuro.

 

A mobilidade urbana, especialmente a promoção da caminhada, assumiu um papel central nestas reflexões, sendo vista como uma das principais ferramentas para reduzir o impacto ambiental e melhorar a qualidade de vida nas cidades.

 

 

Porto reforça liderança no urbanismo sustentável

 

Com este reconhecimento, o Porto consolida a sua posição como uma das cidades mais caminháveis do país, fruto de uma estratégia consistente que aposta na reabilitação urbana, na valorização do espaço público e na mobilidade sustentável.

 

Num contexto global onde as cidades enfrentam desafios cada vez mais complexos, o exemplo do Porto mostra que é possível conciliar desenvolvimento urbano com qualidade de vida, colocando as pessoas no centro das decisões.

 

Mais do que um prémio, esta distinção representa o reconhecimento de uma visão: a de uma cidade pensada para quem a vive todos os dias.

 

 

📷 The Best of Porto

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Cultura, Economia, Porto

Na Páscoa as montras do Porto enchem-se de cor, açúcar e tradição. Entre ovos de chocolate e doces típicos da época, há um símbolo que resiste ao tempo e continua a marcar gerações: as amêndoas de Páscoa.

 

Mais do que um simples doce, as amêndoas representam partilha, família e memória. E numa cidade onde a tradição se cruza com a excelência artesanal, há um nome incontornável que continua a dar forma e sabor a esta herança: a Arcádia.

 

 

Uma tradição doce que atravessa gerações

 

Oferecer amêndoas na Páscoa é uma tradição profundamente enraizada em Portugal. Coloridas, crocantes, cobertas de açúcar ou envoltas em chocolate, são presença obrigatória em qualquer celebração pascal.

 

Na Arcádia, esta tradição ganha novas dimensões. As amêndoas surgem em dezenas de variedades: chocolate de leite, negro ou branco, caramelo salgado, café, trufa de leite, coco, limão, baunilha, creme de avelã, caramelizadas, torradas ou até versões sem açúcar, uma diversidade que responde aos gostos mais exigentes.

 

Mas há uma especialidade que se destaca pela sua singularidade: as icónicas drageias de licor, verdadeiras pequenas obras de arte, pintadas à mão com minúcia e dedicação, mantendo uma técnica artesanal rara nos dias de hoje.

 

 

Arcádia: quase um século de história no coração do Porto

 

Fundada em 1933 pela família Bastos, a Arcádia nasceu na Praça da Liberdade e rapidamente se tornou uma referência na doçaria nacional. Ao longo de quase um século, a marca conquistou não só os portuenses, mas também visitantes de todo o mundo, incluindo figuras ilustres como escritores, artistas e até membros da realeza.

 

Hoje, continua a ser um negócio familiar, preservando receitas e processos de fabrico tradicionais, apesar da inevitável modernização.

 

Um dos momentos marcantes da sua história remonta a 1950, quando o fundador trouxe de Paris a técnica de produção das drageias de licor. Esse método mantém-se praticamente inalterado até hoje, reforçando o compromisso da marca com a autenticidade.

 

 

A magia acontece nos bastidores

 

Quem passa pela loja da Rua do Almada dificilmente imagina que, nas traseiras, existe uma verdadeira fábrica artesanal onde nascem algumas das delícias mais emblemáticas da Páscoa.

 

Durante esta época, a produção intensifica-se e transforma-se quase num espetáculo. Entre coelhos de chocolate, ovos decorativos e toneladas de amêndoas, tudo é feito com um cuidado meticuloso, muitas vezes à mão.

 

O processo das drageias é particularmente fascinante: após várias camadas de açúcar, cada peça é pintada e moldada individualmente, num trabalho conhecido como “bordar”. O resultado são pequenas esculturas com formas de frutas, legumes ou figuras simbólicas, que combinam tradição, criatividade e sabor.

 

 

Mais do que um doce, uma memória afetiva

 

Para muitos, as amêndoas de Páscoa são mais do que um prazer gastronómico, são uma ligação direta à infância, à família e às origens. Há quem associe estes sabores às viagens, às visitas de familiares ou às tradições mantidas ao longo dos anos.

 

Num mundo em constante mudança, são estes pequenos rituais que mantêm vivas as ligações entre gerações. E no Porto, poucos lugares representam tão bem essa continuidade como a Arcádia.

 

 

Páscoa: tempo de tradição, partilha e sabor

 

Para além das amêndoas, a Páscoa na Arcádia inclui outras iguarias como o tradicional pão-de-ló, ovos decorativos e chocolates artesanais, que fazem desta época uma das mais doces do ano, a par do Natal.

 

Num convite à descoberta, algumas lojas permitem mesmo espreitar o processo de fabrico, aproximando o público da arte e dedicação que estão por detrás de cada doce.

 

Num tempo em que o consumo é muitas vezes rápido e impessoal, a tradição das amêndoas de Páscoa lembra-nos da importância de saborear o momento e de valorizar aquilo que é feito com tempo, história e paixão.

 

 
📷 Arcádia

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Educação, Porto, Saúde

O i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto assinala uma década de atividade com uma forte aposta na medicina de precisão, uma abordagem inovadora baseada na genética de cada doente que poderá abrir caminho ao desenvolvimento de vacinas personalizadas contra o cancro.

 

Este centro de investigação de excelência do Norte do país une e consolida a colaboração de três institutos e investigadores de diversas faculdades da Universidade do Porto.

 

 

Medicina personalizada no centro da investigação

 

De acordo com o diretor do instituto, Claudio Sunkel, o futuro da medicina passa por tratamentos cada vez mais direcionados às características individuais de cada paciente.

 

“O cancro de cada pessoa é diferente, e não pode ser tratado da mesma forma. Quanto mais conhecemos as bases genéticas das doenças, melhor conseguimos adaptar os tratamentos”, explicou.

 

Esta abordagem, também conhecida como medicina genómica ou personalizada, tem vindo a ganhar destaque a nível global e é uma das principais áreas estratégicas do i3S para os próximos anos.

 

 

Vacinas contra o cancro e novas abordagens terapêuticas

 

Uma das linhas de investigação mais promissoras passa pelo desenvolvimento de soluções que estimulem o sistema imunitário de cada doente a combater o seu próprio cancro — um conceito que poderá evoluir para a criação de vacinas personalizadas.

 

Além da oncologia, a medicina de precisão está a ser aplicada a diversas patologias, reforçando o potencial desta abordagem para transformar o setor da saúde.

 

O instituto conta já com dois grandes projetos nesta área, com capacidade para posicionar Portugal na linha da frente da investigação científica internacional.

 

 

Bioimpressão: o futuro da investigação sem recurso a animais

 

Outra área em crescimento no i3S é a bioimpressão, uma tecnologia que permite replicar tecidos humanos em laboratório através de impressoras 3D.

 

Esta inovação possibilita o desenvolvimento de novos fármacos com recurso a amostras de doentes, reduzindo significativamente a necessidade de testes em animais e acelerando os processos de investigação.

 

 

Um polo de excelência no Porto com impacto global

 

Ao longo dos últimos 10 anos, o i3S afirmou-se como um dos principais centros de investigação em ciências da saúde em Portugal e na Europa, integrado na Universidade do Porto.

 

Os números refletem essa evolução:

 

  • Mais de 700 projetos de investigação financiados

  • Cerca de 175 milhões de euros em financiamento competitivo

  • Sete bolsas do Conselho Europeu de Investigação, que representam mais de 100 milhões de euros

  • Cerca de 500 doutoramentos concluídos

  • Aproximadamente 100 mil alunos envolvidos em iniciativas educativas

 

Atualmente, o instituto reúne mais de 1.300 profissionais de 39 nacionalidades e desenvolve mais de 300 projetos científicos.

 

 

Investigação de ponta em várias áreas da saúde

 

Entre os projetos em destaque estão investigações lideradas por Salomé Pinho, na área da doença de Crohn, Mónica Sousa, na regeneração do sistema nervoso, e Elsa Logarinho, no estudo do envelhecimento.

 

Estes trabalhos refletem a diversidade e o impacto da investigação desenvolvida no instituto, com potencial para melhorar a qualidade de vida e responder a alguns dos maiores desafios da medicina contemporânea.

 

 

Um “super instituto” que nasceu no Porto

 

O i3S foi inaugurado a 19 de maio, resultando da fusão de três centros de investigação de referência: o Instituto de Biologia Molecular e Celular, o Instituto Nacional de Engenharia Biomédica e o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular.

 

Para acolher este projeto, foi construído de raiz um edifício no polo universitário da Asprela, no Porto, com cerca de 18 mil metros quadrados, num investimento de 21,5 milhões de euros, maioritariamente financiado por fundos comunitários.

 

Dez anos depois, o i3S afirma-se como um verdadeiro motor de inovação científica, contribuindo para posicionar o Porto como um dos principais centros de investigação em saúde na Europa.

 

 

📷 i3s

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Cultura, Porto, Turismo

O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, voltou a afirmar o seu prestígio internacional ao integrar a lista dos 100 museus mais visitados do mundo em 2025, sendo o único representante português neste ranking global.

 

De acordo com dados divulgados pela The Art Newspaper, o museu portuense ocupa a 84.ª posição, com um total de 902 mil visitantes ao longo do último ano.

 

 

Um destaque português num ranking dominado por gigantes mundiais

 

A lista é liderada por algumas das mais emblemáticas instituições culturais do mundo. O Museu do Louvre, em França, surge no topo com cerca de nove milhões de visitantes, seguido pelos Museus do Vaticano, com 6,9 milhões, e pelo Museu Nacional da Coreia, que alcançou 6,5 milhões de entradas.

 

Entre os primeiros lugares destacam-se ainda o Museu Britânico, o Metropolitan Museum of Art e o Museu Estatal Russo, confirmando a forte presença de grandes polos culturais europeus e norte-americanos.

 

 

Serralves consolida posição internacional

 

A presença de Serralves neste ranking reforça o papel do Porto enquanto destino cultural de referência. Com uma programação diversificada e uma forte ligação à arte contemporânea, o museu tem vindo a afirmar-se como um dos principais polos culturais da Península Ibérica.

 

Este reconhecimento internacional demonstra não só a atratividade do espaço, mas também a crescente procura por experiências culturais na cidade.

 

 

Mais de 200 milhões de visitas aos principais museus do mundo

 

No total, os 100 museus mais visitados do mundo somaram mais de 200 milhões de visitantes em 2025. Embora este número ainda esteja ligeiramente abaixo dos cerca de 230 milhões registados em 2019, representa uma recuperação significativa face aos impactos da pandemia, quando em 2020 se contabilizaram apenas 54 milhões de visitas.

 

Na Europa, a tendência é de estabilidade, com países como França, Espanha e Itália a manterem números consistentes, enquanto outras regiões registam crescimentos mais expressivos.

 

 

América do Sul e Ásia impulsionam crescimento global

 

Um dos dados mais relevantes do relatório aponta para uma forte expansão da afluência em regiões como a América do Sul e a Ásia. No Brasil, por exemplo, vários espaços culturais registaram aumentos significativos de visitantes, com destaque para o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e os centros culturais do Banco do Brasil.

 

Já na Coreia do Sul, o crescimento foi particularmente expressivo, refletindo o impacto global da cultura coreana, que se tem traduzido também num aumento do turismo cultural.

 

 

Cultura continua a atrair milhões em todo o mundo

 

Apesar das mudanças nos hábitos de consumo cultural, os dados confirmam que os museus continuam a ser espaços de enorme relevância e atratividade. A procura por exposições, experiências imersivas e contacto com a arte mantém-se elevada, consolidando o papel destas instituições no panorama turístico e cultural global.

 

A presença de Serralves nesta lista é, assim, mais um sinal do reconhecimento internacional do Porto enquanto cidade onde a cultura ocupa um lugar central.

 

 

📷 Ayrton by Unsplash

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Mobilidade, Porto

O período experimental gratuito do metroBus, sistema de transporte que liga a zona da Casa da Música à Praça do Império, vai ser prolongado até ao próximo dia 19 de abril, com o arranque da operação comercial regular agendado para 20 de abril.

 

A decisão foi anunciada pela Metro do Porto, em articulação com a STCP, a Câmara Municipal do Porto e o Ministério das Infraestruturas e Habitação.

 

 

Período gratuito permite otimizar o serviço

 

Durante as próximas semanas, o prolongamento do regime gratuito permitirá continuar a afinar vários sistemas essenciais ao funcionamento do metroBus. Entre as melhorias em curso estão os sistemas de informação ao público, como os tempos de espera em tempo real, avisos sonoros nas estações e informação disponibilizada a bordo dos veículos.

 

O objetivo passa por garantir que, no início da operação comercial, o serviço esteja totalmente funcional e com todas as ferramentas ativas para uma experiência mais eficiente e intuitiva para os utilizadores.

 

 

Procura elevada e níveis de satisfação positivos

 

Desde o arranque da fase experimental, a 28 de fevereiro, o metroBus tem registado uma adesão significativa por parte da população. Em média, são realizadas mais de seis mil viagens diárias nesta ligação entre a Casa da Música e a Praça do Império.

 

Os indicadores de satisfação também revelam resultados bastante positivos. Com base em mais de três mil inquéritos realizados junto dos passageiros, o serviço obteve uma classificação média de 8,7 em 10.

 

Em termos operacionais, o tempo médio de viagem situa-se nos 12 minutos e meio, um valor competitivo que reforça a atratividade do transporte público face ao automóvel.

 

 

Uma alternativa sustentável na mobilidade urbana

 

O metroBus, baseado num sistema de Bus Rapid Transit (BRT), utiliza veículos a hidrogénio e percorre as avenidas da Boavista e Marechal Gomes da Costa, combinando troços com via dedicada e outros em partilha com o trânsito rodoviário.

 

Este novo modelo de mobilidade tem contribuído para a redução do uso do transporte individual naquela zona da cidade, promovendo uma alternativa mais sustentável e eficiente.

 

 

Expansão prevista e investimento estratégico

 

Para já, o serviço funciona apenas entre a Casa da Música e a Praça do Império, ficando ainda por concluir a extensão até à zona da Anémona, em Matosinhos, atualmente em fase de obra.

 

O projeto global representa um investimento de cerca de 76 milhões de euros e integra uma estratégia mais ampla de transformação da mobilidade urbana na Área Metropolitana do Porto.

 

De acordo com as previsões, a linha poderá atingir um potencial de 7,4 milhões de passageiros anuais até 2027, consolidando-se como um dos principais eixos de transporte da cidade.

 

 

📷 Metro do Porto

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